Friday, July 03, 2009

O Manguito




Seguia de carro, nas tarefas de fim de tarde, quando comecei a ouvir falar no gesto. E embora tenha corrido todas as estações plausíveis, nunca o pudor dos repórteres, jornalistas, políticos ou fosse quem fosse, lhes permitiu acabar com a minha duvida gesto, que gesto? Como se tivessem medo de proferir a palavra cornos, não os obrigassem a ir pedir desculpas sei lá a quem. Cheguei a casa convencidíssima que o gesto era o tão nosso manguito, o mais digno e apropriado gesto, dadas as circunstâncias. Pelos vistos há quem pense como eu, o que muito me honra.
nota: obviamente eu não acho que os deputados ou os ministros devam fazer gestos feios no parlamento, mas tenho por lá visto cada coisa. E se é para ser feio que o seja. Seguindo a máxima: tudo o que fizer faça-o com estilo.

Catch after catch

Existe
Resvalo
O
único
caminho
da
página
vive
margem-ombros


outro que não eu

Catch*

Larry Clark


Só existe o tempo único
As coisas são
da margem da página
o caminho
o resvalo
A magnólia
vive no horizonte
A exaltação dos teus ombros
Os teus seios
À porta do castelo




*Catch, cada um apanha o que quer, o que pode, o que mais sente. a partir de Robert Duncan, Paul Celan, Luisa Neto Jorge, Thomas Wolfe e Fiama Hasse Pais Brandão.

Thursday, July 02, 2009

O amor anda pelas ruas da amargura



Carlos Encarnação afirma que recandidatura à CMC resulta de um “profundo acto de amor”. É que já não há pudor nem decência, que desplante!

A mente, essa coisa

robert frank


Pois a mim aconteceu-me a mesmíssima coisa: entro numa loja, procuro umas sandálias para o meu filho mais novo, escolho, confiro o preço que me parece adequado, dirijo-me à caixa, e a menina, tem um desconto de 25% portanto faz... ora em lado algum se anunciava tal desconto nem eu o pedi. Loja vazia, siga... roupa para os filhos mais velhos, ainda não entrei na loja (vazia) e já me estão a por uma raspadinha na mão, ora eu de raspadinha, raspo, tenho um desconto de 30%. O teenager escolhe uma camisa, vou para a caixa com a camisa e a raspadinha, a teenager pedincha e eu vou na onda, pago tudo convencida que o desconto foi só para a camisa, antes de sair, mais uma raspadinha para a próxima, verifico que tive desconto em todos os produtos. Isto não faz nenhum sentido, uma família como a minha em que não houve alteração de emprego (e felizmente são a maioria) não viu os seus rendimentos diminuídos, por outro lado as prestações das casas, maior fatia de muitos orçamentos familiares, baixaram consideravelmente. Então o que (des)move as pessoas? Tenho para mim que é o medo. O mesmo medo que as faz hesitar em viajar para o Canadá, embora a probabilidade de apanharem a nova gripe e dela terem maiores consequências que duma disenteria tropical seja diminuta. Um medo pouco racional, mas a mente, essa coisa, é poderosa. Claro que tudo isto é economia e psicologia de algibeira, mas ainda havemos de sentir as consequências de toda esta conjuntura mental.



Tuesday, June 30, 2009

A praia



Um destes dias fui à praia, o dia adivinhava-se quase chuvoso, mas mesmo assim... Naquela praia tinha chovido toda a noite, o ar estava ainda mais húmido, mas o sol resplandecia e a evaporação libertava os aromas das plantas das dunas. Cheiros bons e intensos de que não sei o nome. Uma praia rodeada de serra de novo verde, bons acessos, um bar simpático e civilizado. Inexplicavelmente, de cada vez que lá vou, a praia está praticamente deserta, uma ou duas famílias com crianças pequenas. O mar não convida a banhos e, pese a minha ignorância, também não é adequado ao surf. As três famílias com crianças pequenas colocam-se a uma distância mais que segura, impossível escutar qualquer conversa, e, se beijos houvessem, mais do que os dos castos afectos familiares, não poderiam ser observados, dada a distância. Praia má para mirones. Uns poucos quilómetros a sul, a turba. Estranha aquela praia. Assim seja.

Friday, June 26, 2009

NOTA para fim de semana


O velhinho (sim que já leva 6 anos, uma eternidade) sempre jovem Aba de Heisenberg em velocidade de cruzeiro. Tal não se deve a esta que aqui vos escreve, enterrada na modorra do verão*, mas aos outros que por lá andam e que dão muito bem conta do recado.



*e na saga da leitura do homem sem qualidades ... para distrair comecei a ler um prémio nobel, mas que raio de prémio nobel se aquilo não me parece mais que um argumento de filme de hollywood!


Want to fix the schools? Look to Portugal



Controverso?

Tuesday, June 23, 2009

da burka (outros blogs)

A burka não pode ser imposta e não deve ser proibida. Em Kabul ou Copenhaga.

Friday, June 19, 2009

Sorria que está a ser televisionado


O que eu gosto dos políticos. Assisti, na televisão, a uma pequena parte da sessão da moção de censura. Mais propriamente a uma intervenção do Paulo Portas e depois à do Aguiar Branco. Do Aguiar Branco nada a assinalar, um discurso bem preparado e coerente, com princípio meio e fim. Já o Paulo Portas... pensava eu que aquilo da moção era uma coisa séria. Pois qualquer vendedeira do Bolhão faria a mesma figura que o líder, que estilo: meia dúzia de lugares comuns repetidos à exaustão, quiçá para preencher o tempo a que tinha direito, e-ainda-lhe-digo-mais-senhor-primeiro-ministro, e lá vinha a frase c) de novo. E no entretanto, enquanto o Feio, e que feio que é, pontuava cada tirada de muito bem, é assim mesmo, duas bancadas atrás a loira beleza fazia boquinhas e trocava recadinhos (piadas?) com o colega Nuno, este ultimo saía do lugar, sem a mínima das dignidades. A darem azo a que o bom povo diga “Aquilo? uma cambada de malandros”.

Wednesday, June 17, 2009

E o Irão aqui tão perto (III)

sendo a comunicação social portuguesa tão pobrezinha a este respeito, como se fora de somenos importância, podem seguir a informação do Jugular.

Das famílias de acolhimento

Oiço na rádio um anúncio a uma associação do norte que pretende sensibilizar os portugueses para o problema das crianças que, por motivos vários, são retirados às famílias e que, segundo o anúncio, necessitam de uma família de acolhimento. Não ponho em causa as boas intenções dessa associação que nem conheço, ouvi hoje pela primeira vez esse anúncio. Mas as crianças em risco, como todas as crianças, não precisam de uma família de acolhimento, precisam de um futuro. E raramente esse futuro é acautelado, ou acautelado da melhor forma pela passagem por uma família de acolhimento. Comecemos pela família e pensemos que acolher uma criança não é encarado como uma maneira de aumentar os proventos familiares. Mesmo que à partida se esclareça que o acolhimento é temporário, é lícito esperar que ao fim de uns meses ou, mais realisticamente, de uns anos a família não tenha criado laços muito fortes com a criança (e vice-versa) e que a deixe partir alegremente para outro futuro? Os casos que a comunicação social tem explorado até à exaustão dão a resposta. Se uma criança foi retirada à família biológica por alguma razão (forte) foi. A maioria dessas crianças são muito problemáticas e apresentam muitas vezes défices de desenvolvimento importantes, estará a família de acolhimento preparada para lidar com uma criança assim? Garantirá à criança todo o apoio especializado de que necessita? Quem vê os anúncios de organizações que lidam com crianças vê normalmente bebés ou meninos pequenos, lindos e sem problemas. Não vê uma criança que com um ano e meio nunca tinha saído do berço ou uma criança de quatro anos que diz que a mãe chupa a pila do pai.
No interesse da criança espera-se que a segurança social e os tribunais façam depressa o seu trabalho e a criança possa regressar ao um futuro na sua família biológica ou numa família adoptiva. E sabemos, quanto mais não seja pelas histórias da Tv, que mais facilmente é esquecida uma criança que esteja entregue a uma família, a segurança social é exímia a considerar uma criança “arrumada”. Por tudo isto, embora possa parecer que a solução de uma família de acolhimento é mais humana, a criança e o seu futuro estarão melhor entregues numa instituição. Desde que a instituição cumpra o seu papel quer de proporcionar aos meninos um ambiente o mais equilibrado e afectuoso enquanto os tem à sua guarda, quer, e se calhar sobretudo, trabalhando com a segurança social e os tribunais (e pressionando-os) de modo a que agilizem o futuro desses meninos.

Copos a 25 cêntimos


está mal, está muito mal. Nas lojas de fábrica da Marinha Grande não se compra um copo capaz de figurar numa cozinha por menos de um euro, um euro e meio, preço de fábrica. Como é que uma loja discount vende copos a 25 cêntimos? Preço de revenda após importação, produção. Copos que nem sequer indicam a origem, mas pode-se imaginar ... Por razões sociais, humanas e económicas não devemos pactuar com estes métodos, abaixo os copos a 25 cêntimos cada.


os copos a 25 cêntimos são um pequeníssimo exemplo, a pontinha do iceberg, falaram-me em sacos de 100 berlindes de vidro a 85 cêntimos e muito mais que quem vai á loja do chinês conhece.